"quero sentir medo. quero sentir paixão. quero sentir o sangue pulsando agitado da ponta dos pés às orelhas. quero a prova de que tudo o que ouço é verdade. quero experimentar novos sabores: azedos demais, salgados demais, amargos. preciso de um corte no dedo que cicatrize sem curativo. preciso esperar no ponto por um autocarro que não vai chegar nunca e vou olhar para o relógio mil vezes enquanto isso acontecer. e quando todas essas coisas já forem rotina para mim vou correr à chuva, chorar a ouvir uma música, ficar na cama a sentir a solidão, esperar telefonemas que não vão acontecer. mas quando a felicidade me pegar de jeito, vou senti-la plenamente em cada poro, em cada célula do meu corpo. E celebrá-la, como se eu pudesse ser o último no mundo a senti-la."
