''vou contar uma
história. era uma vez um rapaz simples, adolescente, com uma familia feliz, com
muitos amigos, com resultados escolares normais, que se vestia consoante a moda
corrente, e com uma namorada. Ela era 2 anos mais velha que ele e começaram a namorar
porque gostavam muito um do outro e porque se davam lindamente. Durante os
primeiros meses de namoro, tudo corria às mil maravilhas. Ambos saíam juntos,
divertiam-se, passeavam, comiam juntos, falavam, zangavam-se, gritavam,
abraçavam-se. Mas um dia ela disse que não gostava mais dele, e que não queria
mais namorar com ele. Que já não sentia o mesmo que antes sentia. Ele não quis
acreditar e ficou muito triste, mas ele sabia que no fundo também tinha alguma
culpa pois já tinha feito muita porcaria e também a deixou muito triste.
Passado uma semana de ela ter acabado com ele, eles foram os dois sair à noite
com grupos diferentes de amigos, ela com a suas amigas, e ele com os seus
amigos. Nessa noite, não se falavam, apesar de ele ter uma vontade enorme de
esquecer tudo, agarrá-la e beijá-la. Mas o orgulho estava muito distinto nessa
noite. Até que o inevitável aconteceu, ela beijou outro rapaz que era amigo
dele. Ele não conseguia acreditar nos seus olhos, e começou a pensar porquê não
era ele no lugar do amigo. Uma raiva incontrolável começou a crescer dentro
dele, e sem mais nem menos, ele bateu no amigo. Ela chorava para ele parar, mas
ele não era capaz, ele queria parar porque estava a aleijar o amigo mas algo
mais forte e mais poderoso controlava as mãos dele enquanto lhe batia. Foi aí
que a vida dele começou a tomar outro rumo. Eles eram da mesma escola, e todos
os dias se viam, mas ela ignorava-o. Dia sim, dia não, ele chorava no quarto,
de modo a que os pais não vissem. Lembrava-se de todos os momentos que tinha
tido com ele, como se fossem flashes de imagens a passar a velocidades extremas
pela sua cabeça. Ele pensou: “Eu não sou nada, não mereço nada” e a auto-estima
dele começou a baixar. Até que o que ele mais hoje se arrepende aconteceu, a droga
entrou na vida dele. Começou por fumar a mais banal de todas as drogas, a
marijuana. De vez em quando, lá dava uma passa, ou comprava e à noite enquanto
pensava nela consumia. Cada dia que passava a marijuana ia regredindo nos seus
efeitos, já nao dava aquele “estalo” que costumava dar, já não dava aquele
prazer usual, aquela dose já não chegava. Começou a consumir todos os dias, aos
2 e 3 charros por dia, e em quantidades maiores para ver se conseguia esquecer
tudo à sua volta, mas principalmente, esquecer-la. Durante umas semanas
conseguiu abstrair-se do mundo físico e entrar na sua realidade alternativa, um
mundo de pensamentos e convicções só dele. Mas de novo, aquela dose deixou de
“bater” e não dava mais para se abstrair. Tentou fumar doses mais elevadas, mas
mesmo assim, o efeito era mínimo. Algo estava errado. Informou-se de possiveis
explicações para o que se estava a passar, e viu que o vicio tinha-se
alastrado, e consumido o corpo todo dele. Se estivesse um dia sem fumar, ficava
stressado, arrogante, estúpido. Até que lhe foi apresentada uma nova droga, de
maneira diferente de consumo: metanfetaminas. De aspecto totalmente diferente,
despertou-lhe uma certa curiosidade, curiosidade essa que afectou todo o seu
pensamento, dia e noite, até que, snifou. Os efeitos eram totalmente
diferentes, enquanto a marijuana o deixava viajante, esta deixava-o eléctrico,
bem consigo próprio, capaz de fazer tudo. Vieram as noites sem dormir, as dores
no corpo da ressaca. Viu que tinha de parar, aquilo não era vida pra ele, as
notas estavam a baixar, estava a perder os amigos. os pais choravam pela vida
que ele levava, e mais importante, ela ainda não tinha voltado. Decidiu: “Tenho
que parar.” Mas já era tarde demais, todos os dias vinha uma vontade
incontrolável de “dar um traço”, de apanhar “alta broa”. Viu que tinha a vida
condenada, mas que por mais que lhe custasse, TINHA DE PARAR, JÁ. Afastou-se de
tudo o que se relacionava com droga, de tudo e de todos. E em casa, e na
escola, lutou contra o vício, pensando que um dia ela voltasse para ele, um
dia…
miss you Ana Rita, everyday''
miss you Ana Rita, everyday''
